Essa frase é muito frequente nas sessões e até em outras situações do dia-a-dia.
Mas afinal, o que está em jogo na sabotagem? O que se sabota?
O desejo.
Isso nos leva a outra questão: por que resistimos tanto ao nosso desejo?
Desejar dá trabalho… às vezes as pessoas se mostram preguiçosas frente ao próprio desejo.
O desejo surge da falta, afinal, não é possível desejar aquilo que já se tem.
Então, lidar com o desejo significa se haver com o vazio, com a possibilidade de fracasso, tentativa e erro, apostar e nem sempre levar.
Bancar nosso desejo significa romper com os ideiais de felicidade oferecidos socialmente.
Bancar nosso desejo implica em abandonar uma posição infantilizada, vitimizada, objetalizada.
Bancar nosso desejo é se colocar em uma posição de não responsabilizar os outros por nossa satisfação.
É priorizar desejar ao invés de ser desejado. Não agradar a todos. Abandonar uma posição narcisista. É desamarrar do outro. Sair da alienação.
Bancar um desejo é difícil, mas não bancar pode ser trágico.
E para agirmos conforme nosso desejo, precisamos antes de tudo nos responsabilizarmos por nossas escolhas.
E assim, vamos nos responsabilizando pelos vazios e incompletudes de nossa existência…