Eu me saboto muito…

Essa frase é muito frequente nas sessões e até em outras situações do dia-a-dia.

Mas afinal, o que está em jogo na sabotagem? O que se sabota?

O desejo.

Isso nos leva a outra questão: por que resistimos tanto ao nosso desejo?

Desejar dá trabalho… às vezes as pessoas se mostram preguiçosas frente ao próprio desejo.

O desejo surge da falta, afinal, não é possível desejar aquilo que já se tem.

Então, lidar com o desejo significa se haver com o vazio, com a possibilidade de fracasso, tentativa e erro, apostar e nem sempre levar.

Bancar nosso desejo significa romper com os ideiais de felicidade oferecidos socialmente.

Bancar nosso desejo implica em abandonar uma posição infantilizada, vitimizada, objetalizada.

Bancar nosso desejo é se colocar em uma posição de não responsabilizar os outros por nossa satisfação.

É priorizar desejar ao invés de ser desejado. Não agradar a todos. Abandonar uma posição narcisista. É desamarrar do outro. Sair da alienação.

Bancar um desejo é difícil, mas não bancar pode ser trágico.

E para agirmos conforme nosso desejo, precisamos antes de tudo nos responsabilizarmos por nossas escolhas.

E assim, vamos nos responsabilizando pelos vazios e incompletudes de nossa existência…

Publicado por Ana Maria Tardelli

Mais de 20 anos de vivência clínica em Psicanálise. Atendimentos para crianças, adolescentes e adultos. Avaliação psicólogica Altas Habilidades, TDAH, TEA. Atendimentos online para todo o Brasil e pra brasileiros que residem no exterior. Os atendimentos presenciais acontecem na clinica Camélia, em Maringá-PR (Rua Campos Sales, 665). Agende hoje sua sessão: (44) 99151-1578

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