Essa frase é muito frequente nas sessões e até em outras situações do dia-a-dia.
Mas afinal, o que está em jogo na sabotagem? O que se sabota?
O desejo.
Isso nos leva a outra questão: por que resistimos tanto ao nosso desejo?
Desejar dá trabalho… às vezes as pessoas se mostram preguiçosas frente ao próprio desejo.
O desejo surge da falta, afinal, não é possível desejar aquilo que já se tem.
Então, lidar com o desejo significa se haver com o vazio, com a possibilidade de fracasso, tentativa e erro, apostar e nem sempre levar.
Bancar nosso desejo significa romper com os ideiais de felicidade oferecidos socialmente.
Bancar nosso desejo implica em abandonar uma posição infantilizada, vitimizada, objetalizada.
Bancar nosso desejo é se colocar em uma posição de não responsabilizar os outros por nossa satisfação.
É priorizar desejar ao invés de ser desejado. Não agradar a todos. Abandonar uma posição narcisista. É desamarrar do outro. Sair da alienação.
Bancar um desejo é difícil, mas não bancar pode ser trágico.
E para agirmos conforme nosso desejo, precisamos antes de tudo nos responsabilizarmos por nossas escolhas.
E assim, vamos nos responsabilizando pelos vazios e incompletudes de nossa existência…
A análise não te livra da dor
O caminho para a descoberta da nossa própria verdade é árduo. Pois é preciso desejo para percorrer o caminho de análise.
A análise não te livra da dor, mas transforma ela em outra coisa, antes de tudo em palavra. Colocamos em palavra aquilo que antes só estávamos sentindo.
Seguir esse caminho é se deparar com uma força tão potente que nunca havíamos imaginado que existia em nós.
E olha, as pessoas vão notar e tem quem não vá gostar. Sabe por quê?
Porque seguir o NOSSO DESEJO pode confrontar com o que o outro espera de nós.
Mas não fazemos isso por individualismo, mas sim por entender o quanto é importante olhar e respeitar o nosso desejo.
Esse é o maior ganho de um processo psicanalítico.
5 coisas que descobrimos em análise
O processo psicanalítico nos proporciona diversas descobertas. Aqui cito apenas algumas delas.
Quais descobertas a análise já te proporcionou?
1 – Entendemos porque fazemos o que fazemos: ao explorarmos os pensamentos e emoções mais profundas, tomamos consciência das nossas repetições, entendendo os motivos pelos quais fazemos determinadas escolhas. A partir disso passamos a lidar melhor com as situações do dia-a-dia.
2 – Aprendemos a nomear nossas emoções: Esse é um dos principais caminhos para o autoconhecimento. Ao nomear nossas emoções , temos a oportunidade de dar um passo para trás, respirarmos e compreendermos o que está por trás desses sentimentos.
3 – Entendemos nossas relações: O processo de análise proporciona a oportunidade de olharmos para nossas relações interpessoais. Ao explorar nossas dinâmicas relacionais e padrões de comportamento, somos capazes de evoluir na nossa comunicação e de buscarmos relações saudáveis.
4 – É possível conviver com nossos traumas: Muitas vezes pensamos que para superar traumas precisamos tentar esquecê-los ou fingir que nunca aconteceram. Na análise confrontamos o trauma por meio da fala buscando uma elaboração, para que com o tempo seja possível seguir em frente “apesar dele”.
5 – Descobrimos qual é o nosso real desejo: Chegar a percepção de que, o que considerávamos ser nosso desejo, na verdade era o desejo de outras pessoas habitando dentro de nós é transformador. Entrar em contato com os nossos desejos nós movem para a busca de propósito e sentido na vida.
A fala livre faz caminhos que a racionalidade não alcança
O convite da fala livre ajuda a expressar tudo aquilo que passa pela mente durante uma sessão. É um método que suprime as resistências e permite o acesso ao material inconsciente, como as lembranças, afetos e representações.
A pessoa, ao se ver liberada pelo analista de qualquer controle, de necessidade de disciplina e de dar um sentido lógico a suas ideias, cai no cenário perfeito para se deixar levar pelo inconsciente. Este adquire força, chega à mente, e se expressa na linguagem. A barreira defensiva, as resistências, são enfraquecidas, e é possível então ter acesso ao conteúdo inconsciente.
A associação livre pode surgir espontaneamente ou ser induzida a partir de um sonho, fantasia ou qualquer outro pensamento. Para que ela ocorra, no entanto, e para que realmente se configure como uma associação livre, são necessárias algumas condições.
Lembre-se: tudo que é falado, é válido.

Como nunca pensei nisso antes?
Muitas pessoas, quando falam isso em uma sessão, tem um sentimento de explosão!Essa fala revela a aproximação com seus conteúdos inconscientes, aqueles mais difíceis de acessar.
Essa fala revela a aproximação com seus conteúdos inconscientes, aqueles mais difíceis de acessar.
Viver e sentir o processo de descoberta do inconsciente é, antes de tudo, libertador.
