“Eu que preciso iniciar a conversa?”

Ouvi essa pergunta de uma analisanda.

A psicanálise parte da associação livre de ideias. Esse é o espaço para falarmos o que quisermos, sobre o assunto que preferirmos, sem julgamentos. É importante que o diálogo comece sem minha interferência e a partir do que é trazido por cada pessoa, há o convite para fazer as reflexões.

Falar livremente ajuda a ter acesso ao inconsciente e a partir daí tocar naquilo que dói, naquilo que precisa ser olhado. Eu não vou estar lá dando dicas e conselhos sobre o que fazer da vida, afinal quem sabe melhor da nossa vida do que nós mesmos?

Perceba que, por meio da fala e das intervenções, cada um vai traçando o seu caminho, na medida que elabora traumas e situações vividas que são singulares de cada indivíduo.

Então, não é que estou lá sentada “só escutando”. Eu ofereço o espaço para fazer reflexões e realizo intervenções durante cada sessão, proporcionando a cada pessoa a oportunidade de realmente se ouvir e a lidar com as verdades sobre ela mesma.

O propósito da análise não é ir para ouvir alguém falar para você, é ir para realmente “SE OUVIR”.

Quando o medo toma conta

O medo já paralisou você alguma vez?

O medo te faz adiar planos, dar desculpas, ver ameaças e inseguranças constantes nas diversas situações da vida?

O medo serve para nós proteger de ameaças reais, mas somente essas.

Mas muitas vezes, o medo se encontra sempre a frente, como uma defesa, na tentativa de evitar possíveis dores ou frustrações.

E assim, na ânsia de evitar dores ou chateações, quando já percebemos estamos chateados e doloridos, seja por estarmos vivendo uma situação ruim na qual não conseguimos sair, ou por deixar fazer algo que poderia ser muito bom, por medo de dar errado.

Esse medo muitas vezes está atrelado a situações vividas no passado. A gente cresce e aí se “acostuma”.

Nos acostumamos a ter aquele emprego ruim por não acreditar que temos potencial para algo melhor.

Nos acostumamos a viver relacionamentos abusivos por não acharmos que merecemos amor e respeito.

Crescemos acreditando que a vida é dura mesmo e que temos que aceitar pois não há nada que possamos fazer para mudar.

Sair da zona de conforto pode ser assustador, mas quando conseguimos, encontramos um mundo de possibilidades e experiências.

Você sabe lidar com a angústia e ansiedade do seu filho adolescente?

Adolescents costumam viver em constante angústia, seja por conta das mudanças corporais, escola, responsabilidades, relações interpessoais…Ah são tantas mudanças!

A relação com os pais se abala, aquela menina ou menino que acordava sempre sorrindo repente parece não existir mais.

O adolescente está ali procurando criar identidade para si, se separando dos pais, muitas vezes se sentindo constantemente inadequado. Por um outro lado, começa a questionar mais e tenta criar suas próprias opiniões, o que geralmente acaba por contrariar a todos.

Porém, onde e quando os adolescentes podem expressar suas frustrações, medos, ansiedades e sofrimentos?

É importante acolhimento, escuta e percepção.

Discussões e proibições sem diálogos podem piorar a relação, por isso esteja sempre atento as necessidades do seu filho. Buscar diálogo é essencial, estar observando suas atividades, ajudando-o a se organizar. Eu sei, não é tarefa fácil.

E mesmo que a adolescência seja normalmente um período de mudanças e angústias, existem casos que precisam de acompanhamento psicológico.

O adolescente muitas vezes precisa de um espaço onde ele possa se ouvir, se conhecer e colocar essas angústias para fora.

Recordar, repetir, elaborar…

Na análise cada pessoa é convidada a se escutar a fim de retornar ao passado, tendo a oportunidade de ressignificar suas narrativas.

Repetindo diante do analista histórias, situações do passado que doem, que angustiam, é que se dá uma abertura para um despertar consciente.

A análise não é um lugar de novidades e sim um lugar de repetição, sobretudo quando se pensa em desmarcar uma sessão por saber que vamos falar “a mesma coisa”.

O processo terapêutico se inicia quando o analisando tem a percepção que não precisa sempre levar “novidades” ou “impressionar” o analista. Inicia quando se permite “ser ele mesmo”, suportando a angústia de confrontar suas repetições, lacunas e impasses.

“Hoje vou falar mais do mesmo” – manda a ver!!!

Análise: encontro com você mesma(o)

O processo analítico proporciona uma experiência inédita, pois possibilita ao sujeito um encontro com o que há de mais particular e singular nele próprio.

Falar livremente na análise nem sempre é confortável, pois lidar com o que causa sofrimento é desafiador. Nesse contexto, falar pode provocar uma sensação estranha, difícil de explicar, por “materializar”, ou seja, trazer para a realidade aquilo que angustia.

Mas é no espaço terapêutico que existe a oportunidade de dar sentido a essa angústia e desenvolver a autonomia emocional para lidar com o que causa sofrimento.

“O paciente não sente angústia por falar na terapia. Sente angústia por ter que escutar o que disse.” (Lacan)